Tuesday, December 08, 2009

Agarrado aos troncos das árvores
Um manto verde de palavras
puro húmido aveludado quente
espera o momento em que a criança
distraída da fauna dos montes
eleva o seu riso na montanha

Sunday, July 26, 2009

concentras no corpo antigo
a força da casa
a bondade
um pássaro sábio

Monday, September 01, 2008

assalta-me a comoção de um abraço urgente
apertar o corpo contra o medo do minuto seguinte
ou dos muitos anos que virão inquinados
por este gesto repentino de entrega nos teus braços

Wednesday, June 25, 2008

cravar uma faca no centro das mãos
não é tarefa para todos os dias
por vezes a casa está habitada
ou é dia de estender o corpo na erva

é decisão tão súbita
que não se avisam os amados
e eles chegam incautos e abraçam-nos
tornando impossível tarefa tão simples

Monday, April 21, 2008

tapa o medo com o corpo
enrola-se de joelhos na boca
mãos abraçadas ao peito
não demora que adormeça
no sono a possível vida

Friday, February 22, 2008

a mancha de terra
avoluma-se sobre o corpo
uma boca treme húmida
no final da tarde
bastava que te mordessem
para que do sangue jorrasse
ávida a vida

bebo-te às cinco da tarde
tomado de sono e solidão
a vida tão perdida
no bosque quente
do interior do corpo
se ris o riso é força
de lágrimas engolidas
dá-se o tiro a frio
inadiável